Palimpsesto

Este é um texto experimental. Cada pessoa vai completar os espaços em branco, com sua própria criatividade, desde que obedeça aos espaçamentos já determinados. É um exercício que chamamos de palimpsesto, que originalmente significa papiro raspado para outra escrita se sobrepor. Coisas de antigamente. Este é um procedimento padrão. Cada concorrente vai preencher os documentos em branco, com sua proposta finalizada, desde que devidamente conferidos e já carimbados. É um trabalho que chamamos de mal necessário, que originalmente obedecia a um ritual muito mais burocrático. Coisas de antigamente. Este é um desafio tragicômico…. Ler mais

O avião, a lancheira da mamãe e o lixo da memória

Tem gente que não gosta de viajar. Para mim, viagem tem a mesma importância que tomar banho, escovar os dentes e me formar na faculdade. Ou seja, me renova, me amplia, traz sentido à vida, acabo conhecendo mais daquilo que gosto e do que não gosto. E ainda abre espaço para eu mudar de opinião sobre esses mesmos gostos. Um mal necessário é o avião. Tem fila para tudo, a comida é praticamente de plástico, o ar sempre é polar para competir com a temperatura externa e os banheiros após 20 minutos… Ler mais

Escuto o outro em mim

A dor do outro dói em mim. Ouvir não é uma opção, pois uma vez que o ouvido funcione, ele ouve. É o barulho dos carros passando na Marginal, o avião às seis da manhã anunciando que o aeroporto de Congonhas está aberto, os pássaros piando em busca das frutas das árvores no parque perto daqui. Som, música, barulho, melodia… Ouvir é entender que não se está sozinho. Mesmo quando o som chega em uma linguagem que não se entende. O que me impressiona é que acabo compreendendo o que antes achava não… Ler mais

Oração ao Tempo

Quando aqueles que admiramos e amamos se vão, levam junto um pouco do que somos, como foi quando perdi meu pai. O Tempo passa e assistimos a nossos ídolos e mentores, seres iluminados, partirem levando sua energia, um jeito de ser, um talento. Aguardo com tranquilidade o microssegundo de sair do círculo da vida e já me imagino encontrando essas energias vibrando no espaço incógnito. Reconhecerei? Reconhecerão? Vou pedir ao Tempo que me permita pelo menos um abraço, e que eu possa lhes dizer que segui os mestres para mais uma vez… Ler mais

Quem nunca?

Tantas histórias de um grande amor perdido. Quem nunca teve? Daqueles que a gente investe, renuncia, se entrega, faz planos, desfaz, refaz. Daqueles que a gente espera uma vida pra ter e passa mais outra tentando entender o que deu errado. O amor na prática é sempre ao contrário. Sonhos, promessas, sacrifícios por um grande propósito. Quem nunca fez? A vida é cruel mesmo. Caminhamos e erramos. Erramos e paramos. Voltamos e indagamos. Ciclo viciante ou círculo em vício? Temos a resposta ou não sabemos a pergunta? Por que choramos? Ou, por… Ler mais

Ideologia

E agora o quê? Que sombra ideológica é essa em que nos metemos? Choro com o grito de Cazuza: As ilusões estão todas perdidas… Tomei partido da possibilidade de mudança nas ruas das Diretas Já. Jovem, me embriaguei demais. Mergulhei no sonho coletivo. Acreditei em promessas de heróis de cara pintada que proclamavam caçar bandidos. Me deixei levar alucinada pelo mundo imaginário das histórias em quadrinhos. Fazer o que agora? Assistir de pé aos meus heróis se suicidarem pela vaidade. Assistir a minha ideologia ser enterrada na vala comum do cemitério da… Ler mais

A derrota das mulheres ou as vítimas propícias

Serão 366 dias. Ano bissexto. Surge uma ponta de esperança que me deixa intrigada. Qual o real motivo para tal? O que fazer com um dia a mais? Será um dia para celebrar nas férias ou para trabalhar? Os dias são sempre especiais. Lembro-me bem do dia em que tirei meu segundo passaporte. O primeiro, era muito nova, fui só de acompanhante. Na época, não podia sorrir na foto, saí com cara de indigestão e com um corte de cabelo de gosto duvidoso. O terceiro passaporte foi muito especial. Foi lá que… Ler mais