Quem nunca?

Tantas histórias de um grande amor perdido. Quem nunca teve? Daqueles que a gente investe, renuncia, se entrega, faz planos, desfaz, refaz. Daqueles que a gente espera uma vida pra ter e passa mais outra tentando entender o que deu errado.

O amor na prática é sempre ao contrário. Sonhos, promessas, sacrifícios por um grande propósito. Quem nunca fez?

A vida é cruel mesmo. Caminhamos e erramos. Erramos e paramos. Voltamos e indagamos. Ciclo viciante ou círculo em vício? Temos a resposta ou não sabemos a pergunta? Por que choramos? Ou, por quem choramos?

A vida é bela também, e choramos por quem queríamos ser antes que tudo acabe. Essa vida, tão desprevenida e exata, deixa claro que tudo um dia acaba. Até os grandes amores que nem sequer começaram.

Pra que buscar o paraíso, jardim perdido, terra seca e cada vez mais longe? Pra que sonhar se ao acordar é o nada e tudo acaba? 
Cansei de ser otário.

Para esse tipo de amor supervalorizado, que faz promessas de tirar o chão e durar para sempre, o antídoto (ou vacina, se ainda houver tempo): amar-se cada dia mais.

© Crônica coletiva


Este texto foi inspirado na canção “Ritual”, lançada por Cazuza em 1987 no álbum “Só se for a dois”. Ela faz parte de um conjunto de 12 crônicas escritas coletivamente, sendo seis a partir de canções de Cazuza e seis a partir de canções de Caetano Veloso. Vamos publicá-las ao longo dos próximos meses. Uma delas está aqui e a outra aqui.

Um comentário em “Quem nunca?

  1. Pingback: Oração ao Tempo – Crônicas Coletivas: uma experiência de escrita

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